segunda-feira, 1 de setembro de 2014

Perguntas para entender o conflito de israelense e palestinos

10 perguntas para entender o conflito entre israelenses e palestinos


Tanque israelense próximo à fronteira da Faixa de Gaza (foto: Epa)
Um mês após o início da guerra na Faixa de Gaza, israelenses e palestinos vivem período de trégua
Israel anunciou a retomada dos ataques aéreos a Gaza, após militantes palestinos terem disparados foguetes contra o território israelense após o final de um período de 72 horas de cessar-fogo, encerrado na manhã desta sexta-feira.
O Exército israelense classificou os ataques como "inaceitáveis, intoleráveis e míopes". O grupo militante palestino Hamas, que controla a Faixa de Gaza, havia rejeitado a extensão do cessar-fogo, alegando que Israel não atendeu suas demandas.
O atual conflito na Faixa de Gaza já dura um mês, sem perspectivas de um acordo de longo prazo que coloque fim à violência que já matou mais de 1.900 pessoas, a maioria civis.
As cicatrizes do confronto são visíveis, principalmente na Faixa de Gaza. De acordo com a ONU, cerca de 373 mil crianças irão necessitar de apoio psicossocial. Aproximadamente 485 mil pessoas foram deslocadas para abrigos de emergência ou casas de outras famílias palestinas.
Além disso, 1,5 milhão de pessoas que não vivem em abrigos estão sem acesso a água potável.
Mas para compreender o conflito israelense-palestino é preciso olhar além dos números.

-O movimento sionista, que procurava criar um Estado para os judeus, ganhou força no início do século 20, incentivado pelo antissemitismo sofrido por judeus na Europa.
-A região da Palestina, entre o rio Jordão e o mar Mediterrâneo, considerada sagrada para muçulmanos, judeus e católicos, pertencia ao Império Otomano naquele tempo e era ocupada, principalmente, por muçulmanos e outras comunidades árabes. Mas uma forte imigração judaica, alimentada por aspirações sionistas, começou a gerar resistência entre as comunidades locais. Após a desintegração do Império Otomano na Primeira Guerra Mundial, o Reino Unido recebeu um mandato da Liga das Nações para administrar o território da Palestina.
-Mas, antes e durante a guerra, os britânicos fizeram várias promessas para os árabes e os judeus que não se cumpririam, entre outras razões, porque eles já tinham dividido o Oriente Médio com a França. Isso provocou um clima de tensão entre árabes e nacionalistas sionistas que acabou em confrontos entre grupos paramilitares judeus e árabes. Após a Segunda Guerra Mundial e depois do Holocausto, aumentou a pressão pelo estabelecimento de um Estado judeu. O plano original previa a partilha do território controlado pelos britânicos entre judeus e palestinos.
Após a fundação de Israel, em 14 de maio de 1948, a tensão deixou de ser local para se tornar questão regional. No dia seguinte, Egito, Jordânia, Síria e Iraque invadiram o território. Foi a primeira guerra árabe-israelense, também conhecida pelos judeus como a guerra de independência ou de libertação. Depois da guerra, o território originalmente planejado pela Organização das Nações Unidas para um Estado árabe foi reduzido pela metade.
-Para os palestinos, começava ali a nakba, palavra em árabe para "destruição" ou "catástrofe": 750 mil palestinos fugiram para países vizinhos ou foram expulsos pelas tropas israelenses.
-Mas 1948 não seria o último ano de confronto entre os dois povos. Em 1956, Israel enfrentou o Egito em uma crise motivada pelo Canal de Suez, mas o conflito foi definido fora do campo de batalha, com a confirmação pela ONU da soberania do Egito sobre o canal, após forte pressão internacional sobre Israel, França e Grã-Bretanha.-Em 1967, veio a batalha que mudaria definitivamente o cenário na região - a Guerra dos Seis Dias. Foi uma vitória esmagadora para Israel contra uma coalizão árabe. Após o conflito, Israel ocupou a Faixa de Gaza e a Península do Sinai, do Egito; a Cisjordânia (incluindo Jerusalém Oriental) da Jordânia; e as Colinas de Golã, da Síria. Meio milhão de palestinos fugiram. Israel e seus vizinhos voltaram a se enfrentar em 1973. A Guerra do Yom Kippur colocou Egito e Síria contra Israel numa tentativa dos árabes de recuperar os territórios ocupados em 1967.
Em 1979, o Egito se tornou o primeiro país árabe a chegar à paz com Israel, que desocupou a Península do Sinai. A Jordânia chegaria a um acordo de paz em 1994.

Conflitos entre Israel e Palestina

 Por Ana Lucia Santana
Os conflitos entre Israel e Palestina nasceram em tempos remotos, pois se enraízam nos ancestrais confrontos entre árabes e israelenses. Mas os embates entre estes povos, que detêm a mesma origem étnica, recrudesceram no final do século XIX, quando o povo judeu, cansado do exílio, passou a expressar o desejo de retornar para sua antiga pátria, então habitada em grande parte pelos palestinos, embora sob o domínio dos otomanos. O ideal judaico de retorno á terra natal de seus antepassados é conhecido como Sionismo, vigente desde 1897, estimulado pela Declaração de Balfour, iniciativa britânica, que dá aos judeus aquilo que até então eles não tinham, direitos políticos próprios de um povo. Neste momento, vários colonos judeus começaram a partir na direção da terra prometida.
Foto: Antony McAulay / Shutterstock.com
Foto: Antony McAulay / Shutterstock.com
Com a queda do Império Otomano, a Inglaterra transforma a região em colônia britânica, instituindo um protetorado - apoio dado por uma nação a outra menos poderosa - na região pleiteada tanto por palestinos quanto por israelenses, o qual se estendeu de 1918 até 1939. Depois do início da Segunda Guerra Mundial, com a perseguição do Nazismo aos judeus, os problemas se agravaram, pois mais que nunca eles desejavam retornar à Palestina, há muito tempo consagrada como um território árabe.
O principal confronto entre palestinos e israelitas se dá em torno da soberania e do poder sobre terras que envolvem complexas e antigas questões históricas, religiosas e culturais. Tanto árabes quanto judeus reivindicam a posse de territórios nos quais se encontram seus monumentos mais sagrados. A ONU ofereceu aos dois lados a possibilidade de dividir a região entre palestinos e israelenses; estes deteriam 55% da área, 60% composta pelo deserto do Neguev. A Palestina resistiu e se recusou a aceitar a presença de um povo não árabe neste território.
Com a saída dos ingleses das terras ocupadas, a situação se complicou, pois os judeus anunciaram a criação do Estado de Israel. Egito, Jordânia, Líbano, Síria e Iraque se mobilizaram e deflagraram intenso ataque contra os israelenses, em busca de terras. Assim, o Egito conquista a Faixa de Gaza, enquanto a Jordânia obtém a área composta pela Cisjordânia e por Jerusalém Oriental. Como conseqüência desta disputa, os palestinos são desprovidos de qualquer espaço nesta região.
A OLP – Organização para Libertação da Palestina –, organização política e armada, voltada para a luta pela criação de um Estado Palestino livre, é criada em 1964. Logo depois, em 1967, os egípcios passam a impedir a passagem de navios israelenses e começam a ameaçar as fronteiras de Israel localizadas na península do Sinai, enquanto Jordânia e Síria posicionam seus soldados igualmente nas regiões fronteiriças israelenses. Antes de ser atacado, o povo israelita dá início à Guerra dos Seis Dias, da qual sai vitorioso, conquistando partes da Faixa de Gaza, do Monte Sinai, das Colinas de Golã, da Cisjordânia e de Jerusalém Oriental. Em 1982, obedecendo a um acordo com o Egito, assinado em 1979, os israelenses deixam o Sinai.
Em 1973, outra guerra se instaura entre Egito e Síria, à frente de outros países árabes, e Israel, o Yom Kippur, assim denominada por ter se iniciado justamente nas comemorações deste feriado, um dos mais importantes dos judeus, com um ataque surpresa dos adversários. Este embate provoca no Ocidente uma grande crise econômica, pois os árabes boicotam o envio de petróleo para os países que apóiam Israel, mas apesar de tudo os israelenses saem vitoriosos, com acordos estabelecidos em Camp David, território norte-americano. O Egito é o primeiro povo árabe a assinar um tratado de paz com Israel, sob os governos do egípcio Anuar Sadat e do primeiro ministro israelense Menahen Begin. Em conseqüência deste ato, o país é expulso da Liga Árabe.
Mas a paz não dura muito. Em 1982 Israel ataca o Líbano, com o suposto objetivo de cessar as investidas terroristas que seriam empreendidas pela OLP a partir de bases localizadas neste país. Cinco anos depois ocorre a primeira Intifada – sublevação popular assinalada pela utilização de armas rudimentares, como paus e pedras, atirados contra os judeus; mas ela não se resumia só a essas investidas, englobava também vários atentados sérios contra os israelenses. Finalmente, em 1988, o Conselho Palestino rejeita a Intifada e aceita a Partilha proposta pela ONU.
No ano de 1993, através do Acordo de Paz de Oslo, criou-se a Autoridade Palestina, liderada pelo célebre Yasser Arafat. Os palestinos, porém, continuaram descumprindo as cláusulas do tratado por eles firmado, pois a questão principal, referente a Jerusalém, se mantém em aberto, enquanto os israelenses, mesmo dispostos a abandonar várias partes dos territórios ocupados em Gaza e na Cisjordânia, preservam neles alguns assentamentos judaicos. Por outro lado, não cessam os atentados palestinos.
Uma nova Intifada é organizada a partir de 2000. Um ano depois Ariel Sharon é elevado ao cargo de primeiro-ministro de Israel, invade novamente terras palestinas e começa a edificar uma cerca na Cisjordânia para evitar novos atentados de homens-bombas. Em 2004 morre Yasser Arafat, substituído então por Mahmud Abbas, ao mesmo tempo em que israelenses recuam e eliminam encraves judaicos nos territórios ocupados. O terror, porém, continua a agir. Em 2006 ocorre um novo retrocesso com a ascensão do Hamas, grupo de fundamentalistas que se recusa a aceitar o Estado de Israel, ao Parlamento Palestino. Qualquer tentativa de negociação da paz se torna inviável.
As chances do nascimento de um Estado Palestino eram crescentes, mas com a eleição do Hamas, não reconhecido pela comunidade internacional, tudo se complica e as possibilidades de paz se reduzem. Neste momento, por conta de confrontos internos entre os palestinos, eles perdem a maior oportunidade de garantir a soberania sobre o território reivindicado, pois há uma nova escalada do terror. Em 2006 também ocorre o afastamento de Ariel Sharon, atingido por um derrame cerebral que o deixa em coma. Ele é então substituído temporariamente por Ehud Olmert, logo depois consolidado no poder pela vitória de seu partido nas eleições.
Atualmente, a maior parte dos palestinos e israelenses concordam que a Cisjordânia e a faixa de Gaza devem constituir o Estado Palestino; e o Hamas e o Fatah uniram-se para a instauração de um governo de coalizão, à custa de muito sangue palestino derramado, mas esse passo ainda não foi suficiente para instalar a Palestina de volta nas mesas de negociação.
Fontes
http://pt.wikipedia.org/wiki/Conflito_israelo-palestino
http://www1.folha.uol.com.br/folha/mundo/ult94u105498.shtml
http://www.historiamais.com/israel_arabes.htm

quarta-feira, 18 de junho de 2014

Copas nos Hemiférios SUl e NOrte

s copas no hemisfério sul e a copa de 2018

A 19ª Copa do Mundo de futebol, que começou no dia 13 de junho, é a segunda vez em que o evento esportivo ocorre no Brasil. Transmitidas pela televisão para quase todos os recantos do planeta, as Copas funcionam como vitrines para os países e cidades que as sediam. Os embates dentro das quatro linhas dos gramados duram apenas algumas horas: cada país despende o máximo de seus esforços para mostrar, no palco do mundo e diante dos turistas estrangeiros, seus atrativos naturais, históricos e culturais.

A Copa do Mundo sempre é disputada em junho e julho, meses que correspondem ao verão no hemisfério norte e ao inverno no hemisfério sul. Desde 1950, primeira Copa no Brasil, esta será a quinta vez que o certame será disputado no hemisfério sul. O Chile sediou o evento de 1962; a Argentina, o de 1978; a África do Sul, o de 2010.

Na Copa de 1950 estiveram envolvidas apenas 13 seleções. As cidades sedes foram Rio de Janeiro (à época, capital federal), São Paulo, Belo Horizonte, Curitiba, Porto Alegre e Recife. Levando-se em conta que a aviação comercial ainda engatinhava, os aeroportos brasileiros eram acanhadíssimos e as estradas não existiam ou eram precárias, a logística de deslocamento das seleções só não foi mais complicada por conta do número reduzido de equipes participantes e do pequeno afluxo de turistas.

Na Copa do Chile, em 1962, os jogos se realizaram nas cidades de Santiago (a capital), Viña del Mar, Rancagua e Arica. As três primeiras cidades são bem próximas umas das outras, localizadas na região central do país, núcleo geoeconômico e demográfico do Chile. Já Arica, localizada no norte, dista cerca de 2 mil quilômetros das demais. Mas, como o número de seleções era de apenas 16, a logística de deslocamento não ficou muito comprometida. Por sorte, apesar de a região central chilena experimentar clima mediterrâneo, com chuvas concentradas no inverno, a maior parte dos jogos realizou-se sob sol e temperaturas amenas.

A Copa da Argentina, em 1978, contou também com a participação de 16 seleções. As cidades sedes foram Buenos Aires (a capital), Mar Del Plata, Rosário, Córdoba e Mendoza. As quatro primeiras são relativamente próximas e situam-se na região do Pampa a principal área geoeconômica do país. Mendoza, nos contrafortes dos Andes, junto à fronteira com o Chile, era a mais distante. A questão dos deslocamentos das equipes não foi muito complicada por conta do número de seleções disputantes e pela relativa proximidade das cidades. Nenhuma cidade do norte argentino ou da Patagônia, no sul, foi sede de jogos.

Depois de longo intervalo, em 2010, a Copa retornou ao hemisfério sul, realizando-se, pela primeira vez, na África. Desde a Copa da França, em 1998, o evento da FIFA passou a contar com 32 seleções, formato que ampliou o total de cidades sedes. Todas as províncias da África do Sul, com exceção do quase desabitado Cabo Oriental, foram representadas por uma cidade sede – uma estratégia custosa, mas destinada tanto a atender demandas políticas internas quanto a exibir a diversidade cultural do país.

Uma Copa do Mundo, o Brasil sabe, começa bem antes do primeiro jogo. O longo processo passa pela escolha do país anfitrião e, depois pela seleção das cidades que sediarão os jogos. A seleção das sedes obedece a uma série de critérios – entre os quais, alguns de caráter técnico, relacionados às vistorias realizadas pela FIFA, que julga os projetos apresentados. Leva-se em conta a estrutura dos estádios: sua capacidade em número de espectadores, as condições do gramado, instalações para torcedores e imprensa, acessibilidade, segurança. Também analisa-se as condições de transporte urbano, adequação da malha aeroportuária, capacidade hoteleira e opções de lazer e turismo. É o tal do “padrão FIFA”...

As Copa de 2014 e de 2018, programada para a Rússia, terão a peculiaridade de ser realizadas em países continentais – o que torna a logística do torneio mais complexa, em virtude das distâncias a serem percorridas pelas equipes, por dirigentes e jornalistas e, ainda, por torcedores. Além disso, por conta da diversidade climática no Brasil, os jogos em Manaus serão realizados sob temperaturas próximas ou superiores a 30º C, com eventuais fortes pancadas de chuvas. Nas cidades sedes do Nordeste (Salvador, Recife, Natal e Fortaleza), as temperaturas também serão elevadas. No centro-sul do Brasil tropical, o inverno é a estação mais seca: por isso, Brasília provavelmente apresentará nível muito baixo de umidade do ar, o que pode afetar os atletas.

Nesta Copa do Brasil, a FIFA solicitou dez cidades sedes, mas o governo federal e a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) insistirão na inclusão de mais duas. De um lado, a decisão refletiu conveniências políticas: o desejo de agradar o maior número possível de lideranças estaduais. De outro, decorreu da vontade de exibir a diversidade natural e cultural das regiões do país. Na Região Norte, por exemplo, a escolha de Manaus, em detrimento de Belém, cidade com maior tradição futebolística, gerou intensa polêmica. Brasília, na condição de capital federal, não poderia ficar de fora, apesar de sua escassa importância futebolística. Ninguém se surpreendeu com a seleção do Rio de Janeiro, a cidade mais conhecida do Brasil no exterior, como local onde da partida final.

A Rússia, anfitriã em 2018, tem extensão cerca de duas vezes maior que a do Brasil – e seu território se estende por 11 fusos horários. Geografia, logística e fusos horários determinaram a escolha das cidades sede. Os jogos se darão em 11 cidades: Moscou, São Petersburgo, Kaliningrado, Kazan, Rostov do Don, Samara, Sochi, Saransk, Volgogrado, Ninji Novgorod e Ecaterimburgo.

Todas as sedes localizam-se a oeste dos Montes Urais, à exceção de Ecaterimburgo que fica nos contrafortes orientais dessa cadeia de montanhas que separa a Rússia europeia da Rússia asiática. A parte europeia da Rússia abrange apenas 25% do território, mas abriga aproximadamente 75% da população russa. Prudentemente, a seleção das sedes evitou um pesadelo logístico: nenhuma seleção se deslocará mais de 2 mil quilômetros no trajeto entre duas cidades.

quarta-feira, 5 de março de 2014

Rússia, EUA e UcrÂnia

Professor não vê possibilidade de ataque, mas destaca a permanência da Rússia como país líder e cita olimpíada de inverno como parte de estratégia política
(Jornal GloboNews, 01/03/2014)
O governo ucraniano pediu ajuda aos Estados Unidos e aos integrantes do Conselho de Segurança para proteger seu território e a equipe de segurança nacional de Barack Obama discutiu as possíveis opções políticas para evitar um confronto. O professor e coordenador dos programas de relações internacionais do IBMEC, José Niemeyer, não acredita num ataque (uma ação direta de OTAN, aliados e norte–americanos), mas destaca que é preciso entender o posicionamento da Rússia no cenário internacional.
“Desde o fim da Guerra Fria, passando pelo momento de guerra ao terror, após o 11 de setembro e a crise econômica de 2008, que envolveu muito a União Europeia e Estados Unidos, o papel dos EUA ainda é preponderante como superpotência. Há cinco anos, a Rússia já começava a usar suas ‘espadas curtas’ em sua ação contra a Geórgia. A Rússia mostrou toda a sua potência militar e os EUA apoiaram a Geórgia via Otan”, explica José Niemeyer.
O professor acredita que é fundamental na região das ex-repúblicas soviéticas que a Rússia permaneça um país líder, e mantenha o orgulho russo para a comunidade internacional. Ele cita ainda a divisão de ucranianos entre a cultura ocidental e a russa.
Sobre os altos gastos na recente olimpíada de inverno, José Niemeyer explica que o evento faz parte de uma estratégia de política externa russa - de atuar tanto no campo do soft power, fazendo uma bela olimpíada, que abre a sociedade russa para outros povos, e ao mesmo tempo endurecendo na sua política externa no que tange os assuntos de segurança regional.
José Niemeyer acrescenta que a Síria também é um país onde a influência russa é clara.

UCRâNIA entenda

Maioria da população da Crimeia é de origem russa; entenda conflito
(Jornal GloboNews, 03/03/2014)
O cientista político e professor de relações internacionais de Escola Superior de Propaganda e Marketing Heni Ozi Cukier explica que a Crimeia se tornou foco de tensão entre Rússia e Ucrânia porque a região nunca pertenceu propriamente à Ucrânia, mas durante a Guerra Fria, ela foi anexada, porque a União Soviética controlava tanto a Ucrânia quanto a Crimeia. E hoje, a maioria da população da Crimeia é de origem russa.
Ucrânia dividida (Foto: GloboNews)
“É um ponto estratégico para os russos, porque você tem uma base naval importante, onde está a frota do mar de saída para o Mar Negro. Para os russos controlarem a Crimeia, é muito fácil. A pergunta-chave é: onde os russos vão parar? Será que eles vão se satisfazer em anexar a Crimeia ou ajudar sua independência, ou vão partir para outras partes da Ucrânia, principalmente o leste, que está muito mais aliado à Rússia?”, questiona o cientista político.
Heni Ozi acrescenta que os russos nunca aceitaram que a Crimeia não fizessem parte de seu território, porque a Crimeia fazia parte da Rússia há muito tempo.

Ucrãnia

Ucrânia vive crise econômica e política; manifestações de rua se radicalizaram desde o fim do ano passado
(Sem Fronteiras, 28/02/2014)
De um lado, uma crise econômica e um país que precisa de empréstimos de US$ 35 bilhões para evitar uma falência estatal; do outro, uma crise política causada por um problema de identidade: se aproximar da União Europeia ou ser parte do plano de Vladimir Putin de construir uma União Eurasiana?
A Ucrânia está dividida: a metade ocidental é pró-europeia, enquanto a metade oriental é mais ligada à Rússia. “Há pelo menos duas culturas que tentam coexistir dentro de uma nação”, destaca o cientista político da Universidade de Rhode Island Nicolai Petro.